Sunday, May 03, 2009
Um exemplo a seguir...
Uma mulher, Silvana Cutello, dá um exemplo de preocupação com aves feridas em Brasília. Mesmo nas cidades é possível realizar atos em prol da natureza. Vale a pena conferir.
Segundo o artigo, ela desde os 12 anos (idade da minha filha, viu filhota?) cuidava de aves:
"Morava em uma chácara. Sempre que meus seus pais encontravam algum passarinho machucado na rua, davam-me para cuidar." (Silvana Cutello)
Ainda mais, ela própria custeia o tratamento e recebendo ajuda, na forma de alimentos para aves, por parte de uma empresa especializada. Outro exemplo, empresas deveriam ajudar mais projetos assim, cumprindo não só sua função social, mas também ambiental...
Parabéns Silvana!
Friday, April 24, 2009
Projeto Nhandara Guaricana

Aqui está um mapa que criei usando dados de diversas fontes. Este mapa mostra a delimitação da área que está para se tornar uma RPPN e a região do entorno com hipsografia, rios, curvas de nível e trilhas registradas por meio de GPS.
fontes de dados:
DEM (modelo digital de elevação) - USGS
polígono de delimitação da área - gentilmente cedido pela SPVS
Softwares utilizados:
Google Earth
Trackmaker
SAGA
Viking GPS
Sunday, April 12, 2009
Espectrogramas de pererecas...
espécie, nem o nome popular.
Baixe o audio aqui (WAV 2.56Mb)
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uma grrande abrraço!
Walther Grube
"Véio do rio"
Identificação confirmada por espectrograma...
Essa veio para confirmar a técnica... O Paulo Guerra tinha publicado uma vocalização a identificar no site WikiAves. Eu achei bastante familiar o som, mas não conseguia identificar auditivamente. Baixei o áudio para ver se conseguia fazer a identificação por espectrogramas, filtrei ruídos, criei o espectrograma e iniciei a cansativa tarefa de comparar as imagens.
Mas isso é demorado e complicado. Acredito que possa ser feito com um software que encontrei na internet, mas isso é outra história...
Por fim, foram dadas sugestões e finalmente a espécie foi determinada: saí-canário (Thlypopsis sordida - família Thraupidae). Foi legal ter participado de alguma forma nesse processo (apenas enviei o som filtrado e o espectrograma para ele), pois pude confirmar depois a identificação. Isso aconteceu ao renomear o arquivo de imagem do espectrograma e, como eu já tinha um espectrograma dessa espécie, pude fazer a comparação na hora com resultado positivo e sem dúvidas! Os espectrogramas estão aí para confirmar... Apesar da segunda imagem não ser muito clara, essa precisa ser tratada ainda.
saí-canário no site WikiAves
a gravação em si
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uma grrande abrraço!
Walther Grube
"Véio do rio"
Primeira identificação por espectrograma!

À esquerda está o espectrograma da vocalização da ave da foto acima.Baixe o áudio aqui.
Amanhecer em Curitiba... Sabiás, bem-te-vis, beija-flor...
aves estão fazendo aqui...
Contei pelo menos uma dúzia de Sabiás, tem um beija-flor fazendo um "escarcéu"
e os bem-te-vis estão a toda também! Como é bom esse momento.
Até gravei a cantoria, é incrível.
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uma grrande abrraço!
Walther Grube
"Véio do rio"
Friday, April 10, 2009
Como crio os espectrogramas...
Chamado do bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)
Canto do beija-flor-rubi com redução de ruídosA maneira de reduzir os ruído explicarei em outra postagem, aqui quero descrever como criar espectrogramas com o sox.
Supondo que você tenha um arquivo "som.mp3" e você quer criar um espectrograma dele, basta, em uma janela de console do Linux digitar o seguinte comando:
$ sox -c 1 som.mpr -n spectrogram
Será criado um arquivo "spectrogram.png", é fácil assim!
Existem opções para esse comando que permitem alterar o aspecto do gráfico, isso pode ser verificado no manual do software.
Para facilitar o procedimento de criação de espectrogramas e manter um padrão de aparência do gráfico criei um pequeno script:
#!/bin/bash
sox "$1" -b 24 temp.wav rate -v -L -b 90 48k
sox temp.wav mono.ogg remix -
sox -c 1 mono.ogg -n spectrogram -x 15 -y 2 -z 70 -w Hamming -s -p 2
mv spectrogram.png "$1".png
rm temp.wav mono.ogg
Com ele eu crio espectrogramas na hora que preciso à medida que vou manipulando o áudio com filtros de softwares como o Audacity. No próximo "post" vou descrever como faço isso...
Até lá!
referências:
sox
sox.sourceforge.net
Audacity
audacity.sourceforge.net
Thursday, April 09, 2009
O Tangará-dançarino e sua dança.

Jovem macho que se chocou contra a janela da minha casa
(site WikiAves)
Um grande abraço a todos!
Wednesday, April 08, 2009
Espectrogramas de cantos de aves...
Anu-preto
Pintassilgo
Site Aves do Brasil
.Também gosto muito do trabalho de outro ornitólogo bastante conhecido, o Helmut Sick. Porém até o momento não consegui adquirir livros dele. Paciência... Também não é tão necessário assim, pois tem o site para identificar as espécies.
Vale a pena conferir pois tem fotos realmente incríveis. Acho muito difícil alguém visitar esse site e não começar a prestar mais atenção em aves, mesmo nas cidades. Agora mesmo enquanto estou escrevendo tem sabiás cantando no quintal, está escurecendo e logo deve aparecer uma coruja, vou tentar gravar a vocalização dela... E isso na cidade! Espero que o trânsito dê uma folga para não atrapalhar na gravação.
Um abraço a todos!
Monday, February 23, 2009
Expedições com o GARI (Grupo Ambientalista do Rio Iguaçu)

Em 2008 participei de duas expedições com o GARI na região de Porto Amazonas e São Mateus do Sul.
A primeira foi acompanhando o Ribeirão Bonito, curso de água que atravessa a pacata cidade de Porto Amazonas. Esse rio desagua no Iguaçu a poucas centenas de metros da sede do GARI e foi até a foz dele o primeiro trecho da expedição. Nesse trajeto encontrei diversas espécies vegetais interessantes principalmente das famílias Melastomataceae, Lauraceae, Cactaceae, Bromeliaceae entre outras.
Os alunos do ensino público que nos acompanhavam iam me perguntando os nomes de tudo que viam, e na medida do possível eu tentava dar o máximo de informações possíveis. Fiquei muito feliz de encontrar até alguns exemplares de canela-sassafrás (Lauraceae), ainda pequenas arvoretas, mas importantes presenças na mata ciliar. Também notei a presença de muitas espécies de fungos diferentes. Seria interessante fazer um levantamento desses seres tão curiosos e importantes no ecossistema.
do a contaminação por efluentes domésticos, além disso havia lixo no leito do rio e, para meu espanto, gente pescando no rio Iguaçu.Nesse ponto o rio Iguaçu tem altas concentrações de coliformes e outros contaminantes, eu não teria coragem de comer um peixe capturado ali...
Em seguida, tomamos o rumo rio acima passando pelo parque da cidade aonde há uma pequena praça com um
espelho d'água. Pouco depois adentrávamos por uma trilha e... que tristeza! Já no início um monte de lixo, certamente oriundo das casas ao lado da mata à beira do Ribeirão Bonito. Que tal uma campanha de esclarecimento para os moradores dali para evitar esse problema? As pessoas precisam ser conscientizadas de que preservando o ambiente elas melhoram sua qualidade de vida.
Nesse ponto da expedição eu registrei diversas espécies vegetais importantes na mata ciliar, portanto demonstrando boa qualidade da mesma. Vários Jerivás (Palmae) e outras frutíferas, indicam a presença de aves e animais que disseminam sementes. Encontramos também tocas de tatus recém cavadas. Após algumas centenas de metros saímos da mata e beiramos a mesma seguindo por áreas de plantio, aonde constatamos que pequenas drenagens são ignoradas ou até mesmo aterradas para aumentar a área de plantio.
Em muitos casos já havia sinais de erosão, um problema sério que facilmente seria evitado mantendo-se a mata ciliar, mas que depois de instalado não tem reparação fácil. Quando é que esse pessoal vai aprender?Seguindo nosso caminho tive o grande prazer de reencontrar plantas carnívoras típicas da região dos campos gerais (Drosera sp.). Havia muitos anos que eu não as encontrava, pois a agricultura intensiva diminuiu muito o espaço para várias espécies dessa região. Sendo o solo dessa região pobre em micro-nutrientes, essas plantas obtém essas substâncias, tais como fosfatos e potássio, capturando insetos em suas folhas pegajosas.
O uso de adubos químicos causa mudanças no pH do solo o que leva essas plantas ao desaparecimento.
Enquanto eu fotografava as Droseras o pessoal avistou um veado. Já havíamos registrado pegadas de veado um pouco antes.
Paramos uns instantes para fazer um rápido lanche e prosseguimos até chegarmos a uma pedreira às margens do Ribeirão Bonito. Nessa pedreira um senhor (cujo nome esqueci...) nos contou sobre a manufatura de rebolos gigantescos de 2000 a 3000 kg feitos à mão (!!!) a partir de blocos de arenito extraídos por meio de cunhas e fogo (?). Realmente impressionante!

Em vinte dias, a partir de um bloco bruto, fica pronto um rebolo de 2 a 3 toneladas perfeitamente circular, e tudo à mão, na base de marreta e talhadeiras.Esses rebolos são utilizados na indústria de celulose para moer a madeira...
Em seguida cruzamos o rio, aproveitando para fazer outra análise de água, com participação ativa dos alunos. E ao chegarmos do outro lado encontramos plantações de ameixas pelas quais caminhamos até encontrarmos uma bica com água cristalina. Após uma rápida e refrescante parada, seguimos nosso caminho até chegarmos à pousada onde passamos a noite.

Com direito a farto café da manhã depois de uma boa noite de sono, iniciamos nossa caminhada bem dispostos e animados.
Nesse segundo dia encontramos diversas espécies vegetais interessantes, solanáceas, branquinho, aroeiras e muitas outras importantes espécies para a mata ciliar. Também pude notar os problemas que esse belo rio tem, principalmente por causa da agricultura. Apesar de ter uma mata ciliar razoavelmente preservada, o rio sofre, quero crer, principalmente com a lixiviação do solo o que causa o assoreamento do rio, a adubação química e o uso de agrotóxicos. Em vários pontos nas áreas de plantio foram feitas valetas de drenagem que obviamente acabam por desaguar no rio levando solo erodido e produtos químicos.
Somente nesse segundo dia que registrei a presença de libélulas, importantes bioindicadores de qualidade de água. Se não há presas não há esses predadores, portanto, pela pequena quantidade vista, alguma coisa está errada com esse rio. Deveria haver peixes também, porém não vimos nenhum, apesar da água cristalina.Acompanhando um trecho de um afluente do Ribeirão Bonito, o Arroio do Palmital, chegamos a uma área desmatada utilizada como pasto, pela qual seguimos em direção ao ponto de encontro com o micro-ônibus que mais tarde nos levaria até a sede do Gari. Nesse trecho encontramos muitos vestígios de animais, pegadas principalmente, mas também fezes. Pude registrar pegadas de veado, tatus, e até pegadas de gato-do-mato ou jaguatirica.
De volta à sede do GARI, fiquei emocionado com a pronta resposta ao nosso trabalho de educação ambiental, pois recebi uma homenagem de uma aluna, em forma de uma poesia para o "Véio do Rio", apelido que ganhei dos alunos. Nessa poesia (não me lembro bem as palavras) a aluna descreveu como aprendeu a olhar de outra maneira para coisas que já conhecia graças ao "Véio do Rio". Gente! Querem coisa melhor do que ver uma semente brotar instantaneamente???
Obrigado ao pessoal do GARI pelo convite para essa expedição e aos alunos que, além do apelido, me deram uma grande satisfação ao participarem com seu interesse e curiosidade.
"Véio do Rio"
Friday, August 17, 2007
Destruição da Amazônia


A imagem inferior destaca áreas de desmatamento em tons de vermelho escuro e a imagem superior (na faixa de luz visível) mostra as nuvens de fumaça resultantes de queimadas (em 2007!).
Para obter o destaque do desmatamento, foram utilizados filtros de cor, criados a partir da imagem superior (imagem atual) e aplicados em uma imagem de 5 anos atrás.
Não é necessário dizer que algo está errado! As três áreas destacadas por linhas, somadas, equivalem a uma área superior à de Curitiba, por exemplo. Isso em 5 anos!!!
Como será possível sobreviver a essa predação de recursos naturais? Isso não é obra de pequenos agricultores, não! Isso é resultado de uma AGROINDÚSTRIA PREDADORA, mancomunada com políticos corruptos, empresários desonestos e uma população conivente e mal-informada!
O trabalho apresentado é apenas uma fração do que realmente acontece, e tem o objetivo de alertar, denunciar e exigir atitudes, tanto do governo, como da sociedade em geral.
As dimensões reais do problema ultrapassam a capacidade de uma pessoa em visualizar essa destruição! Repare-se na escala (à esquerda em baixo nas imagens). A área destacada por linha, acima e à direita (abaixo da "bússola"), tem pelo menos 22 km (isso mesmo KILOMETROS) de largura!
Para assustar mais ainda, a imagem abaixo foi posicionada dentro do mapa do Brasil para mostrar que aparecem as nuvens de fumaça nitidamente e que sao de dimensões inacreditáveis!!! Se o aquecimento global está realmente acontecendo, em parte, o Brasil (e isso inclue todos nós), é culpado SIM SENHOR! TEMOS QUE FAZER ALGUMA COISA PARA CONTER ESSA DESTRUIÇÃO!
Imagem de 2007, mostrando as nuvens de fumaça resultantes de queimadas ILEGAIS!O quadro vermelho é a área mostrada nas imagens acima.
Thursday, January 18, 2007
Se continuar assim...
Mapa da expedição.
Expedição científica Resgate do Iguaçú - Fotos
Expedição científica resgate do rio Iguaçú

EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA RESGATE DO IGUAÇÚ
O descaso, o desrespeito as leis ambientais e a falta de consciência estão matando o Iguaçú, o maior rio do nosso estado que praticamente atravessa o Paraná inteiro. Sua bacia se extende da Serra do Mar até a cidade de Foz do Iguaçú. Seu curso inicia na cidade de Curitiba, sendo sua nascente na região de Pinhais/Piraquara.
Os seus problemas já começam na nascente, recebendo descargas de esgoto e lixo, além de ter seu leito canalizado descaracterizando suas margens.
(Veja um exemplo: Paraná on line)
A expedição realizada nos dias 11 e 12 de novembro de 2006 visou avaliar a situação do rio no trecho de Porto Amazonas a São Mateus do Sul.
Em conjunto com o pessoal do IAP e da SEMA, além da prefeitura de Porto Amazonas e de São Mateus do Sul entre outras entidades e grupos, participei da expedição científica Resgate do Iguaçú nos dias 11 e 12 de novembro de 2006.
O objetivo era de avaliar a situação do rio no trecho de Porto Amazonas a São Mateus do Sul, bem como coletar amostras de água para análise, o que foi realizado pelo IAP.
No dia 11 chegamos a Porto Amazonas na sede do GARI (Grupo Ambientalista Rio Iguaçú) aonde fui apresentado ao pessoal (uma turma muito legal) dessa ONG.
Embarquei, junto com o Giacomo Clausi (Nhandara do Iguaçú), em uma lancha e navegamos um trecho inicial até encontrar o resto do pessoal na balsa rio abaixo que aguardava nossa chegada para embarcar na chalana "Novo Horizonte" e assim iniciar a expedição propriamente dita.
Além de grande quantidade de material fotográfico, foi possível ter uma idéia do tamanho dos problemas que afeta o rio no trecho em questão.
Grande quantidade de lixo, assoreamento do leito do rio e erosão acelerada das margens são os principais problemas, além da poluição da água por esgoto, metais pesados, produtos químicos, agrotóxicos, etc...
Mesmo com tantos problemas ainda foi possível ver colhereiros cujo número segundo observadores vêm aumentando, bem como insetos (Ephemeroptera) chamados popularmente de Mandins. Estes indicam que há chances de recuperação do ambiente se todos se engajarem e preservarem, principalmente a mata ciliar, não somente do rio Iguaçú mas principalmente de seus afluentes e respectivas micro-bacias desde as nascentes.
Análises a partir de imagens de satélite (LANDSAT V) mostram que, no trecho de Aracária a Porto Amazonas, os afluentes estão despidos de mata ciliar, principalmente por atividade agrícola. A área em questão precisa de atenção especial e um monitoramento intensivo, além de estudos e projetos de recuperação de mata ciliar.
Tuesday, September 05, 2006
engajamento

ONG realiza protesto contra barragens
Ligia Martoni [05/09/2006]
Foto: Chuniti Kawamura/O Estado
Movimento tenta impedir construção de usinas no Rio Ribeira.
Ambientalistas da organização não governamental SOS Mata Atlântica estão fazendo uma expedição de protesto pelo Vale do Ribeira com o intuito de sensibilizar as comunidades ribeirinhas e autoridades a não permitirem a construção de barragens no rio que dá nome à região. O movimento, batizado de Ribeira Independente de Barragem, percorre desde o último sábado as localidades situadas entre os municípios de Cerro Azul, no leste do Paraná, até Iguape, em São Paulo. A constatação é de que falta informação aos moradores sobre as conseqüências da construção de usinas hidrelétricas ao longo do rio e que o desmatamento já é notável em boa parte do trajeto.
A expedição chega ao destino final nesta quinta-feira, onde realiza uma grande mobilização pela preservação do Ribeira. Ao longo do trajeto, os ambientalistas têm feito contato com as comunidades quilombolas que habitam a região e constatado que, se a usina de Tijuco Alto - proposta por uma grande companhia mineradora - sair do papel, grandes prejuízos ambientais serão acarretados. É o caso da transformação do rio de corredeiras em uma bacia de grandes lagos, por exemplo. “As corredeiras são responsáveis pela manutenção de uma enorme biodiversidade. A maioria dos peixes sobe o rio para a desova e, com isso, existe toda uma troca entre as matas ciliares, as áreas de remanso e o vale. Muito provavelmente essas espécies não sobreviveriam”, explica a coordenadora do programa Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro.
Outro problema que ela destaca seria a mudança no pH da água acarretada por essa alteração. “Potencializaria a contaminação por metais pesados que essa região tem, principalmente o chumbo. Hoje, o pH do rio faz com que o metal se fixe no fundo, mas, se alterado, poderia contaminar toda a água. É grande risco de saúde pública”, acredita. Além disso, cita a pesquisadora, o impacto geológico seria crítico, uma vez que a região é permeada de cavernas que seriam inundadas. “Os estudos que se têm até agora não são aprofundados nessa questão”, critica. Sem contar a perda de biodiversidade que, segundo ela, seria irreparável. “Já constatamos o desmatamento de grandes áreas de mata atlântica ao longo do percurso para plantação de pinus, tendo como conseqüência o assoreamento do rio.”
Para a ambientalista, as comunidades que habitam o vale ainda não têm informações suficientes sobre o impacto das intervenções. “As discussões, hoje, sobretudo no comitê de bacias do Ribeira, são muito superficiais no que se refere a informações para a sociedade. Nosso objetivo é trazer esses dados para analisar se querem ou não esse modelo de desenvolvimento, exigindo das autoridades esse acesso.” De acordo com Malu, o Eia/Rima (relatório de impacto ambiental exigido pelo Ibama quando de projetos como os das quatro hidrelétricas programadas para ser instaladas no Ribeira) feito até agora é insuficiente. “Há vinte anos tenta-se licenciar o local, mas é preciso que questões ambientais e de impacto social sejam detalhadas. Ao contrário do que se fala, estamos percebendo que aqui não é região de fome, mas que essas pessoas têm qualidade de vida. Se tiverem de desocupar a área, certamente migrarão para regiões urbanas, viverão em favelas e perderão sua identidade cultural.”
Educação ambiental
Divulgação / UFPR [05/09/2006]
Diminuir o sacrifício de animais nos centros de controle de zoonoses, as mordeduras provocadas por cães e, ao mesmo tempo, atuar numa questão de saúde pública. Foi com essa idéia que teve início há cerca de dois anos o projeto de extensão "Controle de Zoonoses na Região Metropolitana de Curitiba" promovido pelo Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná.
O objetivo inicial era trabalhar com a esterilização de animais em regiões de populações de baixa renda. Mas, ao longo do trabalho, o que se viu era que a castração não resolve o problema. "Era um primeiro caminho - porque mobilizava toda a comunidade - mas não resolvia a questão como um todo", emenda o coordenador do projeto professor Alexander Biondo. "O que percebemos é que não adianta controlar zoonoses e esterilizar animais sem que fosse trabalhada a educação em saúde".
Cão na escola
Uma solução encontrada, e que vem trazendo excelentes resultados, foi trabalhar na formação de disseminadores de informações, ou seja, educar as crianças de uma forma efetiva para que elas levassem a questão da posse responsável para dentro de suas casas, para dentro de suas comunidades. Foram assim que surgiram duas ações dentro do projeto de extensão: "Cão na Escola" e "Veterinário Mirim".
"É provado que o convívio humano com um animal doméstico melhora a interação com outras pessoas e auxilia no cognitivismo pessoal, formando um cidadão mais consciente", comenta Biondo. "Assim pensamos numa ação que pudesse ser desenvolvida dentro de uma escola de ensino fundamental. Nele atuam não apenas os nossos alunos da Veterinária, como pedagogas da Secretaria de Educação de São José dos Pinhais e veterinários do CCZ - Centro de Controle de Zoonoses do município."
Uma cadela jovem, pequena, dócil e saudável foi resgatada das ruas, vacinada e desverminada passando também por uma quarentena. Depois de toda a fase de "preparação" ela foi introduzida na rotina da Escola Municipal Emílio de Menezes que agora têm atividades envolvendo a mascote. "Fazemos palestras, apresentamos vídeos e vamos fazer um sorteio onde será escolhido o nome da cadela", explica o professor Biondo. "Com atividades que parecem apenas lúdicas, o que queremos é trabalhar a relação homem-animal e, ao mesmo tempo, obter dados mensuráveis referentes ao nível de informações sobre posse responsável e controle de zoonoses que essas crianças possuem, avaliando também como será o progresso delas ao longo do projeto."
Uma pedagoga da escola ajuda no desenvolvimento de todo o trabalho que também é acompanhado de perto pelos alunos da UFPR e pela equipe de uma pet shop colaboradora (Txucão) que prestará todos os cuidados básicos como banhos e alimentação.
Veterinário Mirim
Nos municípios de Paranaguá e Pinhais é a atividade do Veterinário Mirim que vem movimentando várias escolas das redes municipais de ensino. Um concurso faz os alunos redigirem um texto abordando a questão da posse responsável. Os vencedores passarão o Dia do Veterinário acompanhando a rotina dos profissionais no Hospital Veterinário da UFPR.
"O dia 9 de setembro é o Dia do Veterinário", conta Biondo. "Vamos marcar a visita para o dia 13, porque o número de escolas envolvidas é bem grande e ainda vamos julgar os textos. Os vencedores irão receber um kit de veterinário, com avental, estetoscópio e um termômetro."
Em Pinhais a parceria é com o CCZ que já começa a pensar não apenas nos resultados imediatos, mas também nos de longo prazo. "Aqui os alunos estão respondendo a uma pergunta: 'Qual a melhor solução para o problema dos animais de rua'", explica a veterinária responsável do CCZ de Pinhais Roberta Schaefer Mouchbahani. "Estamos trabalhando com duas escolas-piloto, envolvendo quase 600 crianças. No ano que vem queremos envolver todas as 25 escolas do município."
Atuando há um ano, o CCZ de Pinhais trabalha com a coleta seletiva, recolhendo e sacrificando - apenas quando necessário - somente os animais que podem realmente transmitir zoonoses. Tudo é feito mediante a permissão do proprietário. "Mesmo com o uso de anestesia e de todos os cuidados para evitar o sofrimento do animal, queremos reduzir o número de eutanásias", diz a médica. "No ano que vem, queremos inclusive trazer os alunos aqui para que eles possam conhecer o CCZ e apagar aquela antiga imagem da carrocinha."
Paranaguá
Em Paranaguá 150 escolas devem participar do concurso. Elas estão sendo visitadas por uma equipe formada por integrantes da SPAP - Sociedade Protetora dos Animais e da Patrulha Ambiental do município.
"Aqui conseguimos o apoio da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, além de empresas particulares e de clínicas veterinárias", comemora Lourilis Francis Nogueira, promotora de bem-estar animal da SPAP. "Estamos nos surpreendendo porque os próprios pais estão ajudando as crianças a responder a questão do concurso."
Um dia no hospital veterinário
Devem visitar o Hospital Veterinário da UFPR na comemoração do Dia do Veterinário pelo menos 10 crianças vencedoras do concurso em Pinhais e Paranaguá. "O caminho da educação e saúde ainda é o mais barato", comenta Alexander Biondo. "Mesmo com campanhas de esterilização sabe-se que a cada ano pelo menos 25% dos cães são repostos na comunidade. Ou seja, elas precisam ser freqüentes. Por isso é tão importante envolver de forma cada vez mais maciça a comunidade na resolução do problema", finaliza.
(extraído do Paraná-online)



Canto do beija-flor-rubi (Clytolaema rubricauda)
Espectrograma do canto de tangarás durante a dança de acasalamento.







